A era da hiperconectividade promete uma revolução onde a convergência de inteligência artificial (IA), conectividade em tempo real, dados e ecossistemas integrados vai gerar valor sem precedentes. No entanto, por trás da fluidez, há desafios técnicos, financeiros e estratégicos severos que as instituições precisam superar. No painel realizado pela Claro empresas no Febraban Tech 2026, executivos expuseram os bastidores reais dessa jornada.
Um grande entrave para consolidar a hiperconectividade é atualizar as infraestruturas legadas. Para que plataformas e canais conversem entre si de forma aberta, o esforço de engenharia é monumental. Leandro Marçal, diretor de Tecnologia do Bradesco, destacou esse desafio ao falar da modernização do banco. “Estamos em um processo de modernização de legado e muita coisa está sendo levada para outras plataformas mais modernas”, explicou. Marçal aponta que “para que o software seja interconectável há um trabalho imenso” para integrá-lo a um ecossistema aberto.
Essa complexidade exige escolhas estratégicas. “Hoje eu não levaria a conclusão de uma transação para o WhatsApp, mas é preciso levar o banco para onde o cliente está”, ponderou Marçal explicando que, para equilibrar eficiência interna e experiência, o Bradesco investe em agentes autônomos internos e no uso da BIA.
Para Luis Angelo Schio, superintendente executivo de infraestrutura e governança de TI do Banco do Brasil, o maior desafio é a priorização operacional. “Temos que estar prontos para qualquer novo canal. Como fazer isso sem fazer tudo ao mesmo tempo? É algo que precisamos discutir”, acredita. Ele acrescenta que é preciso “atender o cliente onde, como e quando ele quiser” quando as tecnologias atingirem a maturidade. Para apoiar essa fluidez, o BB aposta em camadas internas de hiper automação.
Essa corrida traz também riscos financeiros sérios. Gustavo Busse, head de Conectividade da Claro empresas, alertou para o perigo de discursos de facilidade extrema que ocultam complexidades reais. “É comum termos empresas se deixando seduzir pelo discurso de que é tudo mais fácil. Isso pode acarretar um incremento de custos”, avisou.
A dependência do cliente por sistemas hiperconectados aumenta a exigência por estabilidade. Frederico Trombotto, head de TI do Santander, reforçou que a indisponibilidade de canais é crítica. Por isso ele sugere o uso de IA autônoma para mitigar falhas. “É preciso ter a possibilidade de fazer um self healing, ter uma ferramenta da qual eu possa me servir. Tem de ser algo simples e fluido”, defende.
Apesar dos obstáculos, o executivo do Santander celebrou a vanguarda do país. “Estamos muito na frente, até da Europa e dos Estados Unidos. Nós somos o grande berço e estamos exportando o que aprendemos”, concluiu, ressaltando que hoje é possível “ter uma agência bancária onde tivermos wi-fi”.
Em entrevista ao Convergência Digital, Luis Schio, do Banco do Brasil, e Gustavo Busse, da Claro empresas, deram mais detalhes sobre como a hiperconectividade tem afetado os ambientes de TI dos grandes bancos e, principalmente, o que tem sido feito para que o cliente tenha cada vez mais opções de acesso aos serviços bancários online.




