Mercado

Nobel de Economia: tecnologia corre muito, mas ideias não estão ‘matadoras’

Ao participar da Febraban Tech, o Prêmio Nobel da Economia em 2025, Joel Mokyr, provocou se será possível sustentar o progresso e alerta para a perda da confiança por conta da desinformação.

Joel Mokyr, que, em 2025, foi laureado com o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel junto de Philippe Aghion e Peter Howitt por seus trabalhos sobre o crescimento econômico impulsionado pela inovação, questionou se é possível sustentar o progresso e apontou dificuldade em se manter inovações ao palestrar no primeiro dia do Febraban Tech 2026.

“A questão é: o crescimento é sustentável?”, perguntou retoricamente, ao abrir sua fala. Em seguida, explicou que se trata de algo controverso e que há a visão de que cada vez fica mais difícil chegar a ideias que são verdadeiros divisores de água. “Está difícil encontrar idéias que sejam matadoras”, assinalou.

O debate continua acerca do crescimento endógeno por meio da renovação tecnológica, com pensadores apontando que “o melhor ainda está por vir” e outros mais céticos. E citou Nathan Rosenberg, economista especializado em história da tecnologia. “A ideia básica é muito simples: a ciência impulsiona a tecnologia, mas a tecnologia retroalimenta a ciência e a impulsiona”, parafraseou. “Assim, a dinâmica da inovação poderia ser descrita por um ciclo de retroalimentação positiva”, seguiu.

Falando sobre GPTs, Mokyr questionou se a IA seria a mãe de todos os GPTs? “Independentemente do que mais a IA venha a fazer pelo nosso mundo, ela é, claramente, uma tecnologia de propósito geral (GPT) fabulosa!”. Mas a IA não discorda e é sempre educada e amigável.

O que pode dar errado, então? Para o Nobel, uma preocupação recai sobre o ponto de vista institucional. “A velocidade das transformações e das evoluções tecnológicas são rápidas e não há dados de que as instituições acompanham elas”, assinalou.


A aceleração do ritmo das mudanças tecnológicas é, portanto, motivo de preocupação. “Precisamos nos preocupar com a flexibilidade das instituições e, especificamente, se elas — tanto no setor empresarial quanto no governo — conseguirão se adaptar com rapidez suficiente a um ambiente tecnológico em rápida transformação. No passado, elas geralmente o faziam, mas de forma lenta”, completou. Outras preocupações incluem a fragmentação, o nacionalismo econômico, o populismo, a xenofobia e a proliferação da desinformação. “A perda da confiança pode ser o inimigo.”

Botão Voltar ao topo